Terça, 23 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Ao escritor

O escritor não tira foto
Mas retrata o mundo
Não pinta
Mas descreve a cena
Não encena
Mas revela o ato
Não dança
Mas baila com as letras
Não molda o barro
Mas faz entender a obra
O escritor é a síntese dos artistas
Ele contém a essência de todos
E eterniza suas criações

Domingo, 21 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - papeando e mergulhando num mar de felicidade -

Escritos de Ponta Negra
- papeando e mergulhando num mar de felicidade -

O despertar me levou ao fogão herdado e já um pouco domado, conseguindo hoje fumegar um café mais fraco e logo partindo para a gostosa e providencial caminhada no calçadão de Ponta Negra.
Como andei por Recife e João Pessoa, fiquei um pouco triste vendo uma orla tão pequena, apresentando velhos problemas, aparentemente de fáceis soluções.
Apesar de praias tão belas, no quesito gestão, ainda nos apequenamos diante do mundo que nos escolhe para deleite de vacaciones e férias de verão.
Mesmo com a visão de eternas obras em andamento, o universo conspira a favor de minha felicidade e passa a exibir uma fila de amigas e amigos. As almas boas vão passando e agregando bons dias e maravilhosas vibrações, deixando a cada olhar, a cada abraçar, a cada papear, um mar de felicidade e um oceano de bem querer.
São Fátimas, Albertos, Rubens, Eugênios, Pedros, Anas e Juremas, transeuntes ocasionais, queridos e amadas entidades transversais do mundo material, experimentando relações, participando de experiências e buscando espaços importantes para seus progressos, tendo consciência que encontros positivos, saudações felizes e troca de energias legais, ajudam, elevam e nos inserem no fantástico mundo do bom viver.
Cada um que passa deixa algo. Cada um que sorri proporciona um algo mais. Cada um que compartilha felicidade, agrega luz, emana paz, proporciona amor.
Sugiro aos caseiros que saiam da toca, busquem olhares, troquem abraços, produzam encontros.
Se por dentro a energia é do bem, por fora também haverá reciprocidade, ampliando assim a fábrica de bondades, aumentando a produção de amares, tornando nosso planeta mais puro, limpo e apto a cumprir sua missão de anunciar ao universo que neste pedacinho azul, o amor reina e o bem predomina.
Luzzzz.

Bom domingo, excelente semana e sejamos felizes.

Flávio Rezende aos vinte e um dias, primeiro mês, ano dois mil e dezoito. 11h37.

Domingo, 14 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - muitos súditos, alguns reis

Antes de chegar no calçadão de Ponta Negra, para a tradicional caminhada dominical, encontro uma alma amiga que me saúda de uma forma comum nos anos 80: diga ai meu rei...
Papeamos um pouco e na praia cheguei. Depois de estacionar a moto, colocar Santana e sua Corazon Espinado para animar os passos, logo vi várias pessoas com a mesma camisa na praia e não tive dificuldade de identificar como devotos do Rei Jesus.
Fiquei observando as abordagens, papos, terminando sempre com todos de mãos dadas em oração.
Decidi andar um pouco mais e dou de cara com o Rei do Crepe. Aí meu juízo mergulhou no tempo percebendo o quanto boa parte da humanidade precisa de um guia, um mestre, um condutor.
A palavra rei foi assim, ao longo do tempo, se afastando da liderança forçada, para a mais poetizada.
Hoje os reis vivos são aceitos como ícones da indústria do turismo, das tradições que valorizam as famílias nos moldes antigos, com o mundo publicitário emponderando a palavra naquilo que deseja ver forte, elevado, o maior.
Ontem a noite assisti documentário na Netflix sobre a segunda guerra.
Os reis da época, Hitler, Churchill, Mussolini, Stalin, Roosevelt, Tojo, Truman, Eisenhower etc, hipnotizaram multidões e lideraram seus súditos, para o bem ou para o mal.
A percepção que tenho é que naturalmente temos tendência a aceitar líderes. Num mundo hiper populoso isso começa a ficar difícil, diante da igualmente quantidade de seres que se propõe a isso.
Lendo Harari acredito que no futuro o rei não será mais uma pessoa física, será um sistema, seremos súditos de dados, o Big Data será o rei, o Deus, o mestre, o Grande Condutor.
Aguardemos pois, por enquanto caminho e penso, não sei se no futuro a máquina pensará uma parte por mim.
Luzzzzzz

Ponta Negra, catorze dias, primeiro mês, ano dois mil e dezoito. 11h14.

Sábado, 13 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escrito da Mama - a gratidão das existências -

Acordo um pouco fora do horário habitual e parto inteiro para fumegar o tradicional café no bule.
Desta vez não posso mais fazer referência ao velho fogão manual, que mudou com bocas e forno para um lar carente.
Se viajou em forma de doação, seu substituto chegou em forma de herança.
Hoje completa sete dias que a mama partiu, deixando na materialidade objetos que, junto aos manos, estamos doando e dividindo.
Todos querem uns para que possam servir de link, de ponte, para recordações diversas.
São fotos, santos, anjos, quadros, perfumes, roupas, móveis e utensílios domésticos que estão impregnados com sua energia, imantados de histórias a eles agregadas.
Trouxe o fogão, atendendo antigo apelo de Deinha por um novo, não conseguindo com ele ser fiel ao pedido, mas melhorando um pouco, uma vez que é mais novo e com mais bocas que o anterior.
E hoje foi o primeiro café nele. Penei para ligar e para entender, mas ao fim de tentativas e experiências vi o fogo brilhar e o café fumegar.
A partir de agora, o momento do café e do pão integral com sementes de gergelim, uvas passas e queijo branco, será permeado com as lembranças da mama, ampliando a já tradicional inspiração que tenho nesta hora.
E assim, com as coisas da mama por aqui e por ai, sua presença vai se ampliando em aromas, visões, recordações e amorosas memórias.
Durante estes dias olhando fotos fui lembrando dela comigo na formatura como jornalista, nos eventos da Casa do Bem, aniversários, casamentos, nascimentos, tantos momentos, tantos beijos, abraços, afagos, palavras de encorajamento, de cuidado, rezas, pedidos para ficar em casa quieto, para guardar os pertences direito nas viagens, e o principal, o amor fluindo, do meu nascimento, até sua morte, com ela me chamando de doce de coco, e eu devolvendo: minha doce mel.
Navegamos por 56 anos neste mar de açúcar, com raríssimas gotas de limão, e será essa história bem escrita de amor maternal, que lembrarei todos os dias na bela visão viva da chama do seu fogão, e no gostoso desjejum que alimentará cotidianamente, o meu coração.
Te amo doce mel, estarei por aqui, mais um tempo, honrando sua existência e agradecendo a oportunidade que me deu, de existir.
Luzzzzzzz

Flávio Rezende aos treze dias, primeiro mês, ano dois mil e dezoito. 8h39.

Mais no www.blogflaviorezende.com.br

Excelente fim de semana para todos.

Quarta, 10 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Tenho UMA luz no céu

No céu existia uma estrela
Mas era apenas uma
As vezes, mesmo cheia de amor
Sentia um certo vazio
Hoje chegou mais uma
Agora somam duas
Uma jamais se sentirá sozinha
As estrelas são agora mais
E em sendo mais
Sendo duas
Suas formas
Brilharão
Unas
Bastou o tempo de uma
Chegou o tempo de duas
Papai e mamãe
Mamãe e papai
Ao longe se fundem
Só vejo uma
A minha estrela una existe
E ilumina
Para sempre
Se como observador sou um
Verei as duas
Como UMA

Terça, 09 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Agradecendo a presença amiga

Por ocasião da noite natalina, um domingo, reunimos a família em torno da Mama.

Papos, presentes, fotos, alimentos e muitas risadas emolduraram a noite de profícuo prazer.
Menos de 15 dias depois, a mama partiu, num mesmo domingo, na mesma hora da reunião natalina, 18h.
Ontem mais uma vez ficamos juntos fisicamente, para a construção da ponte do amor.
Se só nós estivéssemos lá, a ponte seria frágil.
Amigas e amigos dela, nossos, familiares, conhecidos e as três maravilhosas cuidadoras Branquinha, Cleci e Rosa, formaram a ponte da luz, dando solidez a passagem e abrindo o portal com as chaves do amor.
Este escrito é dirigido a você que esteve presente, que foi servente, pedreiro, arquiteto, engenheiro e construtor.
A gratidão dos filhos, a quem foi e a quem por motivo superior não pode, mas enviou a energia do bem, igualmente contribuindo com a passagem benfazeja.
Estamos felizes com nossas duas estrelas brilhando juntas no céu. Estamos felizes com tanto amor e carinho que você nos forneceu.
Gratidão, luz e paz, sempre.

Júlio César, Leila, Dinho, eu, Lila e Jorginho

Segunda, 08 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escrito da Mama - partindo cheia de amor -

Tempos atrás uma querida amiga com o coração destroçado, anunciava a passagem do pai amado, e arrasada narrava o pano de fundo violento do ocorrido.

Hoje anuncio a passagem da mama amada, agradecendo em tempos tão violentos, não ter esse componente, tendo havido o fato, pelo tempo longo da existência e as consequências normais da degeneração dos órgãos e suas funcionalidades.
Diante da maneira como foi, não cabe tristeza, só gratidão a vida pela possibilidade de tanto estar aqui entre nós, oportunizando a mama criar seus seis filhos, cuidar, amar, levar para colégios, médicos, amparar, se solidarizar, reclamar, corrigir, bradar e participar de milhares de eventos como formaturas, viagens, aniversários, comemorações, casamentos, nascimentos de netos e bisnetos, agregando na representação de sua figura o sorriso, choro, o abraço, o carinho, o apreço, o adereço e o amor.
A mama durou. A mama amou. A mama enfrentou barras, situações, teve muitas alegrias, uma vida agradável, confortável e dos filhos, o cuidado e o amparo quando necessitou.
Na soma da memória para quem fica, aprovada está, querendo crer que sua avaliação de onde viveu, quem protegeu e amou, também deve conter a nota dez.
Vai mama, segue, chegue altiva nos portais superiores, reveja parentes, abraça entes, e na programação da futura encarnação, estarei pronto a ser filho novamente, pai, mãe, seja o que for.
Com amor tudo é celebração e, neste dia, é isso que fazemos.
Saudades sentiremos, mas a exemplo de papai, de sua existência, sempre boas recordações teremos.
Luzzzzzzz

Do seu filho Flávio Rezende, representando todos os demais: Júlio Rezende, Leila De Rezende Daibert, Fernando Rezende, Lilian Rezende e Jorge Rezende.