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Terça, 12 de Fevereiro Notícias por Ideia Comunicação

1º Vivenciar: autismo tratado de uma forma especial

1º Vivenciar: autismo tratado de uma forma especial

Evento promove bate papo e interação entre plateia e convidados palestrantes

Mais de 150 perguntas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) respondidas em quatro horas de evento. Plateia e palestrantes falando uma mesma língua: a busca por uma melhor qualidade de vida para os pacientes com autismo. Assim, terminou o 1º Vivenciar - uma compreensão cientifica sobre autismo, que foi realizado no último sábado (09), no Hotel Vila do Mar. O evento marcou o primeiro ano de atuação da Focus Intervenção no mercado potiguar e trouxe a Natal uma proposta diferente, promovendo interação entre plateia e convidados.

A análise do comportamento aplicada, ou ABA (Applied Behavior Analysis, na sigla em inglês), abordagem da psicologia que é usada para a compreensão do comportamento e vem sendo amplamente utilizada no atendimento a pessoas com autismo foi um dos temas mais discutidos durante o evento. Ainda em fase de descoberta no Brasil, a abordagem foi amplamente discutida.

Segundo a Analista do Comportamento, Meca Andrade, nos Estados Unidos os pais foram que impulsionaram o ABA. De lá, a abordagem foi disseminada para o mundo. “É importante frisar que o ABA é uma abordagem, é uma forma de trabalhar, que reúne uma série de técnicas, as quais mudam de acordo com a evolução da ciência. Nos últimos 20 anos tem crescido a aceitação do ABA no mundo, com base nos resultados alcançados. Nem todo mundo pode trabalhar com ABA. Para ser analista do comportamento é preciso se qualificar, viabilizar um serviço de qualidade”, frisou.

Para Meca, que tem mais de duas décadas de experiência com o tema, os pais têm que estar envolvidos no tratamento das crianças. É preciso que eles tenham compreensão do que está sendo feito, para que possam avaliar e saibam analisar currículos. “Os pais têm que aprender, pelo menos, o mínimo sobre a abordagem, para saber se o trabalho está sendo bem feito. Assim, poderão identificar quem poderá ajudar de fato com o tratamento e analisar se o trabalho está sendo bem feito”, acrescentou Meca.

Para ser analista do comportamento é necessário se especializar. Psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, todos podem atuar na área. “Não é só o psicólogo que pode ser analista do comportamento. Eu, eu enquanto fono, posso estruturar melhor os objetivos da minha intervenção se sou também analista do comportamento. Se a gente começa a entender a ciência ABA, percebemos que cada paciente responde de uma forma e vamos identificar a melhor estratégia para ele. Tratar de paciente não é seguir uma receita de bolo e apenas replicar”, explicou a fonoaudióloga Renata Velloso.

Temas como sexualidade também foram discutidos no encontro. Saber como lidar com a questão com pacientes com TEA exige muito cuidado. “No Brasil, não legalizado o uso de medicação para inibir o libido, não é permitido fazer castração química. Independente do diagnóstico do TEA, esses pacientes têm desenvolvimento normal e o desejo sexual faz parte desse crescimento. O que precisa é direcionar a forma como isso deve ser feito. Temos que estabelecer parâmetros, falar de forma direta. Não é porque são autistas que podem se expor”, explicou a psiquiatra Rosa Magaly Morais.

Na área da educação, o direito de frequentar a escola de forma digna foi um tema muito abordado. Segundo a psicopedagoga, Sara Yoshikawa, a escola tem que estar preparada para receber esses alunos e a criança também precisa se sentir inserida para viver nesse universo. “A escola inclusiva é um modelo, mas, às vezes, a escola precisa se abrir para outras formas de ensino. O governo precisa estudar outras possibilidades para que a criança possa desenvolver suas habilidades”, alertou.

Ansiedade é um dos grandes problemas enfrentadas pelos pacientes com TEA e o exercício físico pode ajudar muito para reduzir esses efeitos. “Depois do esforço físico temos melhoras grandes na forma de trabalhar. Tudo que a gente faz para a criança se mexer é positivo, porque as crianças autistas têm menos interesse em interagir, partir dela essa vontade é mais difícil. Quando rompemos essa barreira temos diversos ganhos”, frisou o profissional de educação física Daniel Souza.

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