Domingo, 13 de Maio Meus escritos por Flávio Rezende

A saudade do bem - para mamãe

Estou com 56 anos, quase ultrapassando mais um portal, e creio que é uma idade onde já deu para fazer uma ruma de coisas, acrescentando que a imensa maioria foi superlegal.

O ser humano tem hoje uma maneira mais fácil de trabalhar, sobrando tempo para outras atividades, percebendo que a tecnologia - tirando a parte negativa, como a de subtrair empregos, possibilita esse horário a mais para ser utilizado em muitas coisas, como a convivência sadia com amigos e familiares, por exemplo.

Tendo esse tempo a mais, pude ao longo de minha vida, viajar com papai, visitar mais mamãe e, junto com eles, participar de muitos eventos como lançamento de livros, assistir filmes, papear, levar ao médico, jogar conversa fora, sorrir muito e realizar ações humanitárias.

Como o tempo é inexorável e a partida comum a todos, tive que me despedir do amado pai há alguns anos e, neste, da mama amada, tendo hoje, no dia dedicado a ela, passado sem sua presença, pela primeira vez desde que ela possibilitou minha vinda a este planeta, em mais uma experiência espiritual, num corpo material.

Se o dia então foi de ausência física, não faltaram as lembranças dos muitos momentos em que pudemos desfrutar de vivências várias. Mamãe pertenceu à safra de mulheres que optaram por ter muitos filhos, incorporando junto a esta decisão, a de cuidar de cada um e colher os frutos – depois de certa idade, de todo o carinho entregue e do amor disponibilizado.

Posso garantir que cada um dos meus irmãos, todos eles, compartilharam com a mama o melhor de si em amor e reconhecimento deste se entregar de corpo e alma para um crescimento sadio da prole.

Se em vida ela recebia a turma para um almoço fraterno e um conviver animado - evento emoldurado de cartões, declarações, presentes perfumados e decorativos, hoje na memória de sua existência, recebe os bons pensamentos, as emanações do bem, o carinho em forma de recordações carinhosas, e o reconhecimento coletivo de cada um dos filhos, de que teve uma existência digna, cumpriu o que se propôs a fazer de maneira íntegra e, legou a suas crias, o que chamamos do mais puro e lindo: amor.
 

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