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Segunda, 29 de Junho Variedades por Paulo Teixeira

Alavantú, anarriê e o Brasil, por Paulo Teixeira

Época Junina, época de Alavantú e Anarriê. Expressões que tem origem no dicionário francês, numa tradução objetiva quer dizer: “todos vão para frente” e “todos vão para trás”; ou “todos voltam a seus lugares.”

No dicionário francês encontramos, En Avant e Tout quer dizer: Todos vão pra frente, e an arrière, voltar todos a seus lugares, na dança da quadrilha.

Foi o abrasileiramento das expressões usadas em folguedos de origem francesa praticadas em festas nordestinas.

No Nordeste, nas festas juninas, os marcadores usam as expressões alavantu e anarriê, para ordenar os passos para frente e para trás das quadrilhas. 

É verdade, estamos no mês das comemorações, Santo Antônio, São João e São Pedro.

O poeta certa vez escreveu e musicalizou:

“Grita alavantu/Grita anarrie/Grita chame dama/E cham de demanarriê/Torna a ir pra lá

Torna a vir pra cá/Que no balance/Vamos até o sol raiar”

Silenciaram a sanfona, o zabumba e o triângulo.

Não tem quadrilha, não tem fogueira, não tem milho, não tem alavantú e não tem anarriê, e restaram somente a tristeza e a solidão, nem as cinzas das fogueiras ficaram.

Os Santos padroeiros das festas juninas, não conseguiram manter as fogueiras queimando, não mandaram chuvas para florescer e fazer surgir as bonecas de milhos, e a tristeza silenciou a sanfona. Nada de casamento, pois os noivos não apareceram na Igreja. Não se ouviu o comando do “olhe a chuva”, prevalecendo a ordem do delegado (o vírus) que decretou que todos ficassem em casa.

O mestre Cascudo, escreveu: ““Se São João soubesse quando era o seu dia,/Descia do céu à terra com prazer e alegria./Minha mãe quando é meu dia?/Meu filho, já se passou!Numa festa tão bonita/Minha mãe não me acordou!/Acorda, João!/Acorda, João!/João está domingo,/Não acorda, não!”

Nos dias atuais estamos ouvindo os governantes gritarem alavantú e anarrié, não para liberar as festas juninas, porém para suspender os arraiais, e mandar apagar as fogueiras. Tristeza grande, pois o milho secou e a sanfona não chora mais.

As decisões são ineficazes diante de um grave crise mundial provocada pela epidemia do coronavírus, e o que não temos? não temos leitos, não temos respiradores e perdemos vidas.

É, temos ministro! A saúde encontra-se na UTI e os casais ao invés de estarem dançando nas quadrilhas juninas, estão nos corredores dos hospitais pedindo aos Santos, Antônio, João e Pedro, a salvação 

Assim, resta-nos torce pela volta da Asa Branca, que como profetizou Zé Dantas, “E a Asa Branca, salva e canta que beleza,/Está o povo alegre, mais alegre a natureza.”

Alavantú, Anarriê, e o Brasil tem quadrilhas, não as juninas. E amanhã? poderá acontecer tudo, inclusive nada.

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