Quinta, 23 de Agosto Meus escritos por Flávio Rezende

AVENIDA GRANA

Por dever de ofício todos os dias entro em sites e portais para degustar as notícias. Muitas causam indigestão, por revelar maracutaias, mortes, degeneração e condutas inadequadas.

Outras causam alegria e satisfação, agregando ao dia um ar de felicidade, e certo combustível para seguir em frente e viver amorosamente.

Tem também aquelas que deixam a gente perdido, aturdido, sem entender direito certas coisas. Explico-me melhor. Nesse mundo de grana , todos sabemos que recebemos por serviços que prestamos, gastamos com pizzas, hotéis, alimentos, cinemas, pagamos impostos sem ter trabalho - pois já está tudo no valor pago, declaramos IR com ajuda do contador, ou sozinhos mesmos, e fazemos aquelas contas do que ganhamos e do que gastamos.

As notícias desse mundo fácil de entender estão nas reportagens sobre consumo disso e daquilo, nos índices de aumento de compra de passagens, que tais frutas estão em alta por causa do verão ou até no material escolar que aumentou.

Mas tem um mundo financeiro muito complexo, com reportagens mostrando que dólares são enviados para offshores e holdings no exterior, transferência de recursos por meios que nem sabemos dos nomes direito, citação de rentabilização de custódia, ativos, lucros alavancados, modelos de precificação, black & scholes, volatilidade, delta hedge, ratio spread, straddle e strangle, day trade, polifaces e um mundo de outras coisas, que os experts em desviar dinheiro público, vão mimetizando a grana, que vai se transformando de real em dólares, depois em euros, vira ouro, desaparece em bitcoins, reaparece em ações, muda para isso, aquilo, sobe, desce, desaparece, ressuscita e, no fim, pousa em algum lugar, para que o dono possa, depois de tantas acrobacias, desse real original usufruir, utilizando como ferramenta de esconde-esconde essa ruma de opções que o mercado financeiro disponibiliza para seus operadores.

Rapaz, lendo certas reportagens fico me perguntando se o ladrão original consegue usufruir da grana, pois em cada rito de passagem desse, alguém deve receber as devidas comissões, pelas mágicas do transformismo monetário.

O que deduzimos na pós-leitura dos desvios com assessoria internacional é que somos ignorantes disso tudo, mas livres dessa sapiência, dormimos tranquilamente.

Que situação, rapaz...

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