Sábado, 13 de Janeiro Meus escritos por Flávio Rezende

Escrito da Mama - a gratidão das existências -

Acordo um pouco fora do horário habitual e parto inteiro para fumegar o tradicional café no bule.
Desta vez não posso mais fazer referência ao velho fogão manual, que mudou com bocas e forno para um lar carente.
Se viajou em forma de doação, seu substituto chegou em forma de herança.
Hoje completa sete dias que a mama partiu, deixando na materialidade objetos que, junto aos manos, estamos doando e dividindo.
Todos querem uns para que possam servir de link, de ponte, para recordações diversas.
São fotos, santos, anjos, quadros, perfumes, roupas, móveis e utensílios domésticos que estão impregnados com sua energia, imantados de histórias a eles agregadas.
Trouxe o fogão, atendendo antigo apelo de Deinha por um novo, não conseguindo com ele ser fiel ao pedido, mas melhorando um pouco, uma vez que é mais novo e com mais bocas que o anterior.
E hoje foi o primeiro café nele. Penei para ligar e para entender, mas ao fim de tentativas e experiências vi o fogo brilhar e o café fumegar.
A partir de agora, o momento do café e do pão integral com sementes de gergelim, uvas passas e queijo branco, será permeado com as lembranças da mama, ampliando a já tradicional inspiração que tenho nesta hora.
E assim, com as coisas da mama por aqui e por ai, sua presença vai se ampliando em aromas, visões, recordações e amorosas memórias.
Durante estes dias olhando fotos fui lembrando dela comigo na formatura como jornalista, nos eventos da Casa do Bem, aniversários, casamentos, nascimentos, tantos momentos, tantos beijos, abraços, afagos, palavras de encorajamento, de cuidado, rezas, pedidos para ficar em casa quieto, para guardar os pertences direito nas viagens, e o principal, o amor fluindo, do meu nascimento, até sua morte, com ela me chamando de doce de coco, e eu devolvendo: minha doce mel.
Navegamos por 56 anos neste mar de açúcar, com raríssimas gotas de limão, e será essa história bem escrita de amor maternal, que lembrarei todos os dias na bela visão viva da chama do seu fogão, e no gostoso desjejum que alimentará cotidianamente, o meu coração.
Te amo doce mel, estarei por aqui, mais um tempo, honrando sua existência e agradecendo a oportunidade que me deu, de existir.
Luzzzzzzz

Flávio Rezende aos treze dias, primeiro mês, ano dois mil e dezoito. 8h39.

Mais no www.blogflaviorezende.com.br

Excelente fim de semana para todos.

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