Quinta, 08 de Março Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos Cariocas - histórias sobrepostas

Ao fim de um jogo, campeonato, guerra, união, relação ou viagem, uma história pode ser posta.
Com o tempo um pouco chuvoso decidi mudar roteiro e buscar minhas estórias nas histórias dos outros.
Comecei pelos feirantes. Ali ocupando o espaço dos carros em uma rua de Copacabana, permissionários de nas quintas, comercializarem suas frutas, peixes, frangos, verduras e até sucos e coxinhas, o fazem com certa ordem e muita oralidade.
Uns se sobressaem com gracinhas já aprovadas na geral, enquanto outros apostam na força dos seus cartazes anunciando preços abaixo do tradicional.
Uma vez satisfeito com a história da feira desci aos subterrâneos do metrô e passei a ver os personagens que ali transeuntam, para lá e para cá, com suas pressas, silêncios e headfones, absortos, leves e soltos, porém presos às suas rotinas, idas e vindas, naquele ambiente bem decorado e muito agitado.
De baixo emergi bem no centrão carioca, prédios enormes e conformes arquitetura ultrapassada, off históricos, os mais contemporâneos são blocões a la paralelepípedos, grudados como receando um efeito dominó, formam um corredor enorme que desagua na Catedral da Candelária, onde em respeitoso silêncio observei a imponência eclesiástica.
Em seguida teci passos no emaranhado de salas do excelente Espaço Cultural Banco do Brasil, mergulhando na cultura nagô, observando cada foto, objeto e vídeo da mama África, em completíssima exposição, coisa de primeiro mundo.
A África nunca nos deixa impunes, enveredar por suas larvas incendeiam o coração e acorda a mente, com erupções simultâneas de dengos, balanços e lágrimas.
Quantas alegrias e tristezas. Quanta dívida temos e gratidão por tantas ofertas e oferendas disponibilizadas a nossa civilização.
Para apaziguar um café na famosa Confeitaria Colombo, enquanto o momento de encontrar o potiguar Alexandre Aragão não chega.
Estou cada vez mais apaixonado pelo Rio e, neste tempo de estio, onde a chuva amainou, estou disposto a percorrer suas avenidas, ruas e vielas, buscando histórias, garimpando faces, esmiuçando afazeres comuns, para enfiar no juízo e produzir estes escritos, dividir com vocês, me sentir útil e gerar felicidade, nem que seja egoisticamente, para meu próprio prazer.

Flávio Rezende aos oito dias, terceiro mês, ano dois mil e dezoito. 12h18.

Centro do Rio. Confeitaria Colombo.

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