Domingo, 03 de Junho Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - a chuva e a mobilidade das coisas


Acordo e percebo que a chuva já presente na madrugada, continua molhando a cidade pela manhã.
Ela não muda a fumegada do café, mas refaz projeto de praia e me posiciona diante da tv, onde via Netflix navego no universo de Garcia Marquez, mergulhando em Macondo e nos tempos da cólera, percebendo claramente que mudamos ao longo do tempo.
Na mesma tv que telespecto, escolho não dar muita atenção ao amistoso do Brasil, analisando que isso nunca tinha ocorrido. Ontem já nao fiz questão de ir ao jogo do ABC, preferindo passear no shopping com as mulheres de my life.
No documentário Garcia Marquez mostra certa decepção com o socialismo cubano e passa a manter amizade com Fidel para poder soltar escritores presos pelo regime ditatorial.
Num outro documentário sobre os atentados em Paris, vários jovens que estavam no Bataclan, dizem tempos depois do ocorrido, que passaram a valorizar coisas como a família, filhos, e aceitar certas regras sociais ligadas a tradicionalidade.
Assim como o sol nos leva ao movimento exterior, fazendo com que fisicamente saíamos por aí pedalando, correndo ou mergulhando no mar, a chuva nos remete a solidão reflexiva - que no meu caso hoje, areja a percepção que as mudanças estão ocorrendo continuamente.
O futebol não é mais prioridade; antigas crenças em sistemas socialistas são repensadas; valores antes tidos como caretas são internalizados por jovens diante de situações concretas ou pela própria passagem do tempo; enquanto sol e chuva alternam temperaturas e cenários, tão naturalmente quanto o dia antecede a noite, e este anuncia o dia.
Aprendemos desde cedo a crer em algo e mudar é tido como errado. Nada mais injusto e equivocado.
Mudamos o tempo todo, fisicamente, quimicamente, por qual motivo não podemos fazer isso, também, mentalmente?
Como já disse por aqui Flávio Zannata, que trocou uma promissora carreira de executivo pela de introdutor da macrobiótica no Brasil, em saudosa palestra no auditório do Sesc/Centro, nos anos 80, "a única coisa que não muda, é que tudo muda".
Bom domingo chuvoso e excelente semana. 
Luzzzzzz

Flávio Rezende aos três dias, mês seis, ano dois mil e dezoito. 11h44.


COMPARTILHE