o espaço das minhas coisas

Sexta, 18 de Dezembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - a representação hoje é confusão

Hoje somos seres humanos em grande quantidade. Mas nem sempre foi assim. Nos primórdios éramos poucos e fomos indo. 

Quando reduzidos e com comunicação pobre, tínhamos problemas, mas resolvíamos de maneira mais democrática. 

O tempo passou, fomos negociando com a divindade o aplacamento das trovoadas e enchentes, discutindo como matar os enormes animais, até que na sequência natural de se sobrepor as intempéries crescemos e sentimos desejo de abandonar os lugares seguros e ousar.

Essa ausência prolongada exigia que os que ficavam decidissem os babados, surgindo naturalmente com o aumento dos sapiens, a necessidade da representação. 

As comunidades com muitas pessoas não tinham mais como reunir o conjunto para deliberações. 

Uns estavam ausentes caçando, outros enfronhados com as crias, e alguns vigiando. 

Até que alguém pensou que uns podiam representar outros e assim, de uma forma ou de outra - até hoje, instalamos a representação.

Só que a ideia era apenas decidir pelo coletivo o melhor, por um grupo seleto, mas que tivesse imbuído dessa energia coletiva.

E nesse passar do tempo, a representação passou a ser muito bem remunerada, repleta de assessores, tantos privilégios e benesses que os escolhidos terminaram mordidos pela tal mosca azul do poder e esqueceram os objetivos primordiais. 

Com raras exceções, a representação virou emprego, status, apartando o pretendente do objetivo real.

Estamos numa sinuca de  bico, perdendo tempo, gastando grana e entronizando inimigos. 

Criamos um sistema legal e a corrupção o corrompeu. 

Como corrigir? Tirar todos os privilégios, altos salários, tornar a representação um sacerdócio a ser exercido por seres com tendência a ajudar a coletividade, não a ser beneficiado por ela. 

Difícil? Não e ao mesmo tempo sim.

Aqui neste cantinho dou minha contribuição dizendo: como está não resolve o coletivo, apenas empodera o individualismo.

Que situação, rapá...

Flávio Rezende aos dezoito dias, doze meses, ano dois mil e vinte. 14h41. Capim Macio. Natal. Brasil 

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