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Quinta, 23 de Novembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da alma – reverenciando Jaeci Galvão

Quando era pequeno o mundo dos álbuns de fotografia exercia um fascínio enorme sobre todos os seres.

Como as películas eram raras, quando apareciam naqueles livros enormes, bem colocadas, com molduras elegantes, saltavam aos olhos.

Todas as famílias da classe social a qual estava inserido tinham esses álbuns, uns dos filhos, outros dos casamentos e era quase obrigação mostrar, como hoje fazemos com as digitais que tiramos, através do imenso mundo cibernético do Facebook.

E como as fotos tinham esse poder de encantar, os que as produziam com esmero e reconhecido talento profissional, eram tidos como grandes e bastante requisitados.

Jaeci era um deles, sendo meu pai seu cliente. Adorava ver suas fotos e aos poucos, crescendo, fui conhecendo seus filhos e travando amizade com a família. Lembro-me da loja dele no centro da cidade e em outros locais.

Jaeci também era visto em motos, voando, navegando, amplificando a admiração. Tudo nele chamava atenção. Até cachimbo o homem tinha, combinando com aquele rosto meio inglesado, um charme só.

Um pouco mais adiante fui conhecendo mais uma faceta de sua memorável trajetória, as fotos da cidade, inundando as mídias sociais, todas maravilhosas, bem batidas, bem curtidas, muito elogiadas e fundamentais para a compreensão do passado.

Jaeci registrou tudo, parecendo até que sabia que tempos depois, seriam todas objeto de estudos, olhares, comentários e partes do mosaico da cidade já crescida e metida à mediana.

O tempo avançou mais ainda e fui morar em Ponta Negra. Lá passei a encontrar o esportista, motoqueiro, grande fotógrafo Jaeci na padaria do uruguaio, praticamente todos os dias, passava na caminhada e o mestre estava lá, pois morava na frente.

Aos poucos fomos nos aproximando, papeando, trocando impressões, outros amigos frequentes no local chegando, e terminou virando uma confraria, bem ao tempo do mensalão. Eu comecei defendendo Lula junto a um militar aposentado e outros atacando. No fim eu passei para o lado dos crentes que Lula pisou na bola, ficando só o militar ainda simpático ao capo. Era muito legal.

Mais uma vez a roda da vida girou e deixei de frequentar a padaria, indo só de vez em quando, ainda o observando na varanda da casa, já mais velhinho. Vez por outra perguntava a Severo por ele, com notícia que gostava de balançar na rede e estava cada vez mais caseiro.

Estes dias ele partiu com idade já próxima dos 90, mas jamais será esquecido, pois deixou assinatura em milhares de fotos famosas, representativas de uma cidade bebê e de uma cidade adolescente.

Fez muitos amigos em várias áreas. Fez seu trabalho muito bem feito. Sendo o que foi, eternizou seu nome na história de Natal. Deve ter partido feliz, mesmo que às vezes exibisse um aspecto grave. Era seu jeito.

Quando era distante, admirava. Quando me aproximei, ficamos amigos. Agora que partiu, deixa saudades. Segue alma boa, vá cuidar de eternizar o céu, lá deve ter muitos ângulos bem legais. Luzzzzzzz.

 

Flávio Rezende aos vinte e três dias, mês onze, ano dois mil e dezessete. 11h46.