o espaço das minhas coisas

Segunda, 30 de Novembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos da Alma - tantas variações que a vida nos oferta

Nos idos dos fins dos anos 70, inserido num ambiente estudantil católico, modelado por uma educação padronizada nesta religião, na obediência irrestrita das normas e num contexto em que pensar/agir/atuar fora do quadrado era revolução condenável, descobri meu dom de me expressar pela escrita. 

Tímido ao extremo, foi nesta seara que fui mostrando ao mundo ao meu redor o que pensava sobre as gatinhas (paqueras), natureza e até política, mesmo num ambiente de ditadura e de perigos reais.

E fui indo, papai me desejando dentista e direitista, eu optando pelo jornalismo e comunismo, o conjunto social apontando catolicismo e eu indo para o hinduísmo. 

E nesse jogo do que querem o que sejamos e o que tendemos a ser, educadamente fui indo, driblando, me fazendo de doido, até me estabelecer no que de fato me faz feliz e deixa fluir minhas tendências.

Assim me tornei escritor, jornalista, descobrindo que minha expressão estava nas letras e reportagens. 

Feliz depois de anos e anos de ser o que devia de fato ser, de processar a crença que me dizia respeito e de seguir minhas decisões em todos os babados mais, cheguei hoje a fotografia, como extensão de uma vida de comunicação, ampliando  possibilidades e fechando uma vida dinâmica com o diamante que reluz na assertiva: uma imagem vale mais que mil palavras. 

Amo escrever, tenho quase 30 livros publicados, uma vida de explicitação de pensamentos vários em contos, ficções, poesias, reportagens, crônicas, que infelizmente, a cada dia avançado, encontra obstáculos, uma vez que os tempos são de ojeriza aos escritos, com qualquer três parágrafos já sendo difamado como: textão. 

A maternidade da fotografia então veio como um portal para o nascimento de uma nova maneira de comunicação mais aceita, em voga, moda, podendo com uma imagem dizer muito e a mais, para uma plateia afeita a comodidades, cada vez mais preguiçosa, distante de argumentações escritas e de publicações linguísticas. 

Chegamos ao tempo da imagem, do vídeo, a entronização do rápido, flash, período de gênios para quem entende gênios -  a minoria das minorias. 

É tempo da comunicação dos medíocres - me perdoem a sinceridade, a morte dos pensadores, é a época dos replicadores de mentiras, dos posts produzidos, do quase nada pensar. 

Neste ambiente onde o sapiens avança célere na tecnologia, morre um monte de importantes modos de viver.

Apesar de tudo, encontro felicidade, desde que nasci, eis o ouro de mina, mesmo criticando, achando uma ruma de coisas erradas, não devemos nos entregar, vivamos, celebremos, apesar dos pesares, vamos participar e colaborar. 

Luzzzzzz.

 

Flavio Rezende, aos vinte e nove dias, onze meses, ano dois mil e vinte. 13h59. 

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