Sábado, 21 de Abril Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - calmaria em cena

Acordo com o tempo chuvoso e sem pressa parto para fumegar café e comer.
Em seguida o sofá herdado acolhe o corpo ainda com resquícios de moleza e a série Tróia apresenta um capítulo intenso e vibrante.
Observando fiquei pensando no quanto cada diretor imprime sua maneira de ver a história, tendo uma série a possibilidade de esticar dramas, ampliar sofrimentos e ofertar detalhes, que filmes não podem pelo limite do tempo onde a narrativa precisa ser ambientada.
Pensando nisso decido inserir meu ser no grande épico do big criador e diretor, chamado pela maioria de Deus.
Diariamente ele nos dirige por séries e séries, por todo o planeta, nos entrelaçando, fazendo amar, odiar, vencer e perder, procriar, desfalecer, subir, descer, endoidar, regosijar, ficar rico, pobre, enfim, esse nosso viver com papéis que mudam a todo instante, compõe esse livro, escolhendo este humilde ator, escrever as linhas da manhã no cenário de Ponta Negra, cidade do Natal, país Brasil, América do Sul, ocidente, planeta Terra.
E a decisão do diretor de retirar o sol, jogou certa malemolência na história, com a caminhada pela praia revelando um travesti bem calminho, contemplativo até, radicalmente oposto do modelo barulhento e andar a la escola de samba, percebendo ainda pescadores na manutenção dos barcos, vendedores sem agonia, surfistas filósofos ao mar, policiais sonolentos, atletas mais para papo que para bolas e um mar que lembra espelho, no lugar de turbilhão.
Quando o sol não agita, a cena está tranquila, tudo ao redor vira slow motion.
Por determinação do diretor geral Ponta Negra está em câmera lenta, suave, light, laricada.
E assim me comportei. Andei devagar, fiz meus pedidos espirituais bem pausadamente, um banho sem pressa e sentei para dedilhar este escrito assim, sem agonia para finalizar.
Assim como Tróia pode ser contada de várias maneiras, a vida também pode ser vivida de formas variadas.
Uns acreditam que existe um diretor por trás e se entregam a seus desígnios. Outros não. Já pensei nas duas possibilidades. Por via das dúvidas as vezes me entrego, noutras faço meu próprio script.
No fim nem sei se saberei como de fato é. Se tudo acabar e nada de nada restar, acabou.
Se acabar e no day after algo puder recordar, espero que as coisas que escolhi protagonizar, tenham sido boas.
Feliz em amorosa confraternização com o Criador direi: se quiser mais uma vez, estou pronto, voltarei...

Flávio Rezende aos vinte e um dias, mês quatro, ano dois mil e dezoito.10h29. Praia de Ponta Negra.

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