Domingo, 01 de Julho Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - com o pé no morro e a cabeça no mundo


Se faltou poder de fogo para Cristiano Ronaldo fazer Portugal avançar na Copa, sobrou ontem na comunidade do mosquito, fazendo com que desse ré no carro e buscasse chegar ao aeroporto por outra rota.
Se a violência mudou ontem meu trajeto, hoje segui rotina, fumegando café, comendo pão integral com queijo branco e uva passa e, desaguando corpo no pé do Morro do Careca, onde liguei a antena e fiquei ali no banho observando o mundo ao meu redor.
Logo a esquerda uma jovem tentava beijar outra um pouco mais velha, que incomodada dizia para ir devagar com o andor. 
A direita dois pais com filhos pequenos nos braços, comentavam suas maneiras de ser. O de um é afoito e já estava trepado na cabeça do genitor querendo pular. A menina é medrosa e atracada no porto seguro do papai, queria a todo custo sair do mar, tremendo mais que vara verde num mar tranquilo e sem ondas.
Eis a vida e suas nuances. Em qualquer canto e em qualquer lugar, percebemos a representação das coisas através de pessoas, animais e da natureza.
O amor plural, o que se atira, a que se retrai, os que comemoram, pois ao sair do mar, presenciei casal tirando fotos em homenagem a um recorde batido na travessia a nado.
E andando fui vendo o mundo, através de uma corda que da terra ajuda a tirar o peixe do mar, o casal amigo que sugere Milton Nascimento na vitrola, o rapazinho que volta metros para um chute fuleiro dar, enfim, no pé de um morro, ou em qualquer recanto, eis a vida e seus cantos e encantos, eis a magia, os seres e as poesias, por aí, disponíveis, visíveis, a nos rodear.
Um belo domingo e muita luzzzzzzz.

Flávio Rezende no primeiro dia, mês sete, ano dois mil e dezoito.
10h20. Praia de Ponta Negra.

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