o espaço das minhas coisas

Sábado, 28 de Dezembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - mergulhado no amor praiano -

Amo tanto a vida que a alma inquieta quer logo acordar, para que eu ponha música, adora ouvir Santana, Pink Floyd, Janis Joplin, mantras indianos, pede que mande fotos felizes e coloridas para animar o despertar das pessoas, exigindo também que  fumegue café e produza textos e fotos produtivos e positivos.

Quem sou eu para discordar ou afrontar uma alma assim? Diante do empoderamento levanto, faço as higienes físicas necessárias e logo parto para a satisfação dos desejos da alma boa, que só se satisfaz com produtividade e boa safra de coisas legais. 

Quem me ajuda no atendimento das demandas? Os filhos amados, a esposa querida, família amiga, vida maravilhosa e pensamentos edificantes. Tudo isso flui feito nascente de Rio, para o mar, onde chego cheio de amor, olhar carinhoso, saudando as pessoas, trabalhadores, transeuntes, seres de todos os reinos, os eternizando, trocando energias, até que me prosto no altar.

Quem me conhece sabe que transito por todas as religiões, com colar de Krishna, devoção à Sathya Sai Baba, admiração por Jesus, Buda, Maomé, evitando porém repetição de rituais e frequência a reuniões cotidianas, exercendo espiritualidade de gratidão no altar do Morro do Careca, espaço natural onde mergulhado na água tranqüila da enseada, faço a oferenda pura da gratidão sincera pelo conjunto da obra que a vida me reserva. 

E a praia, essa área democrática, onde seres com pouca vestimenta, sem receio do excesso de peso, da disfunção de nascença, com poucos trapos, chega imbuído da missão do desfrute, de curtir, mergulhar, usufruir, eis um lugar mágico, divinamente imantado com o DNA de promover felicidade. As pessoas chegam na praia para exercer felicidade, não chegam para provocar, magoar, confrontar.

Chegam desarmadas, quase nuas, sem preconceitos, circulam, brincam, jogam, tiram fotos, consomem, amam, interagem, fazem novos amigos, a praia é a praça grega da democracia genuína, o éter cósmico da universalidade, a egrégora, a polis aquática, a poesia, a magia, a energia do coletivo fluir, conviver, ser, estar, acontecer. Amo o mar, sua oceânica existência, seu acolher de todos nós, está em todos os continentes, não se importa com raças, religiões, preferências, banha a todos, batiza, refresca, esfria, esquenta, ameniza dificuldades, abençoa. Praia é portal, lazer, válvula de escape, moradia, ponte, travessia, oportunidade, possibilidade, praia é poesia, energia, mantra, praia é OMMMMM. 

Flávio Rezende aos vinte e oito dias, décimo segundo mês, ano dois mil e dezenove. 12h50. Praia de Ponta Negra.

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