Sábado, 09 de Junho Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - mudando para melhorar

 Ao acordar a mão pesada colocou mais pó de café que água, e a fumegada apresentou uma dose mais forte.
Cheio de cafeína no juízo fui bater perna em Ponta Negra, e logo presenciei um batismo de neófitos cristãos com promessas variadas de reforma interior, vida nova e brilhantes olhares para o futuro.
A cena remeteu meu ser a sala do Cinépolis, onde dias atrás assisti um filme do Festival Varilux de Cinema Francês, com um professor conservador e uma imigrante árabe, a princípio brigando e depois evoluindo para uma parceria transformadora, onde os dois saíram ganhando.
Ela virou uma advogada competente e feliz e ele um professor menos barra pesada.
A leitura que fiz é que a proximidade desfaz mal entendidos, e a adesão a visão do semelhante pode encaminhar nossa nau para bons portos.
Claro que o oposto é possível, mas optei por escrever pelo lado que deu certo.
O professor mostrou a então aluna que ela podia passar a vida se vitimizando, colocando a culpa de todas as suas agruras nos outros. Isso podia lhe dar certo consolo, discurso e até lhe emprestar uma causa, mas ela seria ao fim de tudo uma pessoa melhor?
Ela foi cedendo e no fim sua relação com a mãe melhorou, idem com o namorado, ficou mais feliz e utilizou os métodos do professor reacionário em sua profissão, obtendo êxito ao fim.
O professor certamente ao conviver com uma imigrante transformada, percebeu que é possível burilar, lapidar e agregar valor as pessoas, sem agredir, desmerecer, apequenar.
Aqui em Ponta Negra vejo jovens aderindo as bússolas de Jesus. No filme vi dois seres antes antagônicos, compreenderem razões antes rechaçadas, por permitirem aproximação e ouvirem um ao outro.
A vida através de diversas ferramentas oferta generosamente setas, encontros, situações, inserindo no DNA de tudo, a possibilidade da mudança.
Se sentir que essa transformação pode tornar você um ser melhor, não hesite, mergulhe, dispa-se dos seus preconceitos, conceitos ou couraças.
Estou na água, tem sol, tem som, tem pessoas variadas, animais, vegetação, a vida é bela e dialoga cotidianamente comigo.
Eis minha oração preferida: que possa estar sempre aberto, disponível...

Flávio Rezende aos nove dias, mês seis, ano dois mil e dezoito. 11h14. Praia de Ponta Negra.

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