Domingo, 04 de Novembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - O empreendedorismo vivinho da Silva

Escritos de Ponta Negra 
- o empreendedorismo vivinho da Silva -

Se na sexta os vivos foram reverenciar os mortos, no sábado e no domingo, se pelando de medo de tomarem mesmo destino, reduziram as roupas e se debandaram para as praias.
Conscientes que é preciso aproveitar o máximo enquanto estão ativos no mundo material, saíram das casas, apartamentos,  pousadas, hotéis e hospedarias, lotando restaurantes, shoppings, bares e praias, num frenesi elétrico de gordos, magros, ricos, pobres, héteros, transviados, enviesados, coxinhas, petralhas, palmeirenses, abecedistas, do Mengão, católicos, hares, macumbeiros, cachaceiros, boêmios,  santos e malandros, todos aproveitando e alguns torrando grana ou o corpo ao sol, no mais democrático e brasileiro movimento de massas, o dito feriadão prolongado, amado e aproveitado. 
Como meu cemitério é minha mente, já na sexta fui orar aos pais partidos na integridade do meu templo maior, o Morro do Careca, repetindo a reza no sábado e, hoje, domingão, finalizando feliz três dias de gozo e bons pensamentos. 
E curtindo a praia observo a intensa atividade dos pequenos empreendedores,  vivíssimos, falando, ofertando, vendendo,  esperançando, disponibilizando picolés, quartos, passeios, rangos, líquidos, serviços, num vai-e-vem maravilhoso de trocas, me lembrando das feiras na antiguidade, dos mercadores persas, tecelões romenos e vaqueiros indianos, mostrando que a vida move a matéria prima entre as almas, em escambos e transações, que nos tornam vivos e ativos no grande palco planetário. 
Se tem alguma coisa que torço acontecer nestas mudanças mundiais, que ocorrem sistematicamente em todas as regiões, é o empoderamento do cidadão através do trabalho. 
Quero menos Estado, mais protagonismo individual e coletivo. 
No finados os mortos foram homenageados, no resto dos dias, celebramos a livre iniciativa e vivemos um tempo em que assumimos as rédeas e fizemos a revolução. Continuemos. 
Que situação...

Flávio Rezende aos quatro dias, mês onze, ano dois mil e dezoito.  11h59.

 

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