Domingo, 27 de Maio Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - o velho e o novo na beira-mar

Acordo feliz e disposto, uma vez que o sábado foi maravilhoso, com meus filhos realizando coisas que gostam e o mengão e o ABC vencendo suas pelejas.
Cheio de energia ponho uma seleção de rock nacional dos anos 80 e 90 via Deezer e, ouvindo "Eu queria ter uma bomba", com Barão Vermelho, parto para fumegar café e comer uva sem caroço e  sanduíche natural com queijo branco, sementes de girassol e uvas passas.
Ao manusear o café percebi o fim de um saco e lembrei de mamãe e de papai.
O saco é do café mais barato do supermercado, que misturo a um outro mais qualificado, dando a mistura um meio termo tomável.
O barato me lembra papai, que sempre escolhia os produtos pelo preço, enquanto mamãe assumia a filosofia de comprar o que fosse do bom e do melhor.
Ao abrir um novo café lembrei do prazer que as coisas novas dão, seja uma roupa, um lanche ou um novo esporte.
Pensando nisso chego para a tradicional caminhada em Ponta Negra e, ao tirar as vestes e adereços para o prazeroso mergulho, percebo no bloco de rocha que serve como albergue dos meus pertences, a formação da estrutura geológica em sua fase inicial.
Curtindo aquelas pedrinhas ainda um pouco arenosas e frágeis, buscando no tempo a evolução para o estágio de rocha firme, vejo pequenas baratinhas e diminutos caranguejos, como que brincando de esconde-esconde neste domingo de sol rutilante e clima agradável e caliente.
O êxtase já presente amplifica com a percepção de tantas coisas novas ao redor.
Crianças em pranchas, com conchas artificiais, jogam água para o alto, divinizam o ambiente com suas preces naturalmente verdadeiras, enquanto a natureza revela em toda sua magnitude, rochas nascendo, árvores frutificando, folhas, grãos, palhas, frutos, flores, por todos os cantos, chegando, nascendo, surgindo, encantando, mostrando a quem tem olhos de ver e alma de sentir, a constante renovação cósmica, o vir a ser, desabrochar, chegar, ser, que permeia a tudo e está presente em todos.
Totalmente envolvo na divina presença do novo, renovo disposição de viver, encantado que estou em ser parte do todo e, me dissolvo na mãe natureza, como um filho, uma criatura, uma criação.
Tenhamos sempre essa abertura para o novo dentro de nós e percebamos em volta, no café, no axé ou na boa fé,  a essencial energia do viver.

Flávio Rezende, aos vinte e sete dias, mês cinco, ano dois mil e dezoito. 10h09. 

Um domingo de luz é uma semana cheia de boas novas

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