Domingo, 26 de Novembro Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos de Ponta Negra - pegando de graça, obtendo graça, e fazendo graça

Ao despertar o bule ferve, a uva desce e a moto aponta em direção a Ponta Negra.
Na caminhada os agradecimentos espirituais por uma ruma de coisas boas, os pedidos que revelam nosso lado esmolé, e o pensar no que revelar na forma de escritos.
Como o percurso de ponta a ponta do calçadão dá em torno de uma hora, são muitas as afluências mentais, cabendo a definição do que escrever, geralmente após o mergulhar, e o café tomar, no bistrô a beira do mar.
E fui indo e vendo tanta gente mergulhada no mundo virtual - mesmo na praia, que está ficando mais fácil contar, quem não está imerso na telinha.
Percebi também o quanto está acessível o mundo virtual. Vendedores de sirigüela, barraqueiros, ambulantes, turistas, flanelinhas e hippies, todos cutucando, dedilhando, sorrindo, gravando áudios, observando vídeos, um universo de tantas coisas a ver, que se brincar o dia acaba e ainda tem muito a navegar.
E segui vendo as camisas do Flamengo, Corinthians, grupos de bêbados partindo, de famílias chegando, um "pastorador" de carros vibrando com a fila para entrar em seu terreno, dizendo para o amigo que ia tirar o atraso da semana apática.
Aí matutando no que aqui eternizar, pensei nos vendedores que precisam escoar o que adquirem, sob pena de um prejuízo ter. Na oferta de serviços existem custos de combustível, funcionários, eletricidade etc. Na área de alimentos, eles são igualmente comprados e uma vez cozidos, assados ou transformados, são vendidos.
Aí pensei nos meus escritos que tanta graça me dão. Ao produzir um não gasto nada. A inspiração retiro do que observo e o dom renasceu na presente encarnação, sendo inalienável em minha existência, cabendo apenas a este atma eterno, ir cuidando de aperfeiçoar, burilar, acrescentar novas técnicas e escrever sempre, para que o gosto, o apuro e o texto nasça produzindo graça, e como disse e repito, de graça.
Se escreve com várias intenções. Às vezes é para ganhar grana. Noutras para se amostrar ou até para conquistar alguém. Se escreve por encomenda ou por ideologia.
Como sou jornalista e assessor, tenho todos estes momentos, mas a graça maior vem do meu aspecto escritor. Sem compromissos, a princípio sem interesses outros, apenas dou vazão a inspiração e confesso tesão e satisfação em dizer coisas, relatar observações, compartilhar reflexões.
E assim vou, pegando de graça, obtendo graça e, às vezes, até fazendo graça.
Luzzzzz.

Flávio Rezende aos  vinte e seis dias, mês onze, ano dois mil e dezessete. Praia de Ponta Negra. 10h01.

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