Quarta, 07 de Março Meus escritos por Flávio Rezende

Escritos do Rio - vícios controlados para viver desassombrado -

Escritos do Rio
- vícios controlados para viver desassombrado - 

Estando de férias no Rio adoro baixar em Botafogo para curtir cinema em salas alternativas, com programação mais desapegada do circuito tradicional.
Com a vontade consolidada peguei o bus no Leme e saltei no aterro do Flamengo, dando uma caminhada para curtir o visual do Pão de Açúcar e chegar no Espaço Itaú de Cinema.
Ainda no ônibus comecei a ver várias pessoas com camisa do mengão, inclusive eu, uma vez que o rubronegro joga hoje, prestando mais atenção num senhor, barba mal feita, moreno, que perto de onde estava manipulava coisas numa mochila, tirando, olhando,  demonstrando prazer por cada uma, até que pegou um perfume, se presenteou com dois sprays e jogou olhar nos transeuntes da cidade maravilhosa.
Observando a cena fiquei  refletindo sobre vícios, lembrando de quantas pessoas são viciadas em perfumes caros, comidas, carros, roupas e adereços.
Aquele senhorzinho, abarrotado de coisas simples, demonstrava apreço e carinho por cada uma, estando feliz e obtendo prazer, o que é no frigir dos ovos, o que importa realmente.
Ao longo de quase seis décadas, fui me aproximando mais do barbado moreno, que de outras pessoas, que estão totalmente viciadas em marcas e grifes, só usando, experimentando ou possuindo coisas que tenham certo pedigree ou procedência com aval da indústria da moda e da mídia.
Os escravos e viciados deste mundo de objetos marcados precisam para manter seus gostos, de muita grana, o que leva alguns a práticas desonestas e comportamentos corruptos, que os jogam num paradoxo: ficam lindos, cheirosos e bem vestidos por fora, porém podres por dentro.
Adquiri o ingresso para Projeto Flórida e com certo tempo faltando, fui na lanchonete da esquina comer uma fatia de pizza com suco de morango na água.
Adoro coisas simples e ao longo da vida procurei me viciar naquilo que não tem fama. Meu perfume não tem. O que como é o trivial da gastronomia. Roupa mais sofisticada só quando vou aos Estados Unidos, pois são mais baratas que as mais comuns daqui.
Não condeno quem tem gostos refinados e pode ter essas coisas, afinal são boas e merecem usufrutuários.
O problema é ficar viciado. Aqui no Rio tem muita gente assim, uns pela pele, outros pela boca, enquanto uns se viciam pelas veias e pelo nariz.
Fiquem atentos. O filme vai começar.
Que situação rapaz...

Flávio Rezende aos sete dias, terceiro mês, ano dois mil e dezoito.15h4.

Praia de Botafogo, Rio de Janeiro.

Mais no www.blogflaviorezende.com.br

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