o espaço das minhas coisas

Domingo, 27 de Janeiro Que Situação por Flávio Rezende

Ponta Negra. Que situação, rapá...

Quem acompanha meus escritos sabe do olhar carinhoso que lanço sobre Ponta Negra.
Estes dias de maré cheia pela manhã os nativos e turistas ficam mais no calçadão, criando um ambiente confuso que torna patente a esculhambação reinante em nosso cartão postal.
Com a fiscalização de férias ou ineficaz os ambulantes deitam e rolam, aos montes, tornando a passagem difícil e a sujeira presente, num festival de quadros, frutas, miçangas, cocos, coxinhas, serviços ofertados e lojas sobre rodas, que se misturam a bêbados, batedores de celulares, malandros, sanfoneiros, cartomantes, religiosos, ratos e os usufrutuários do espaço, que vendo essa babilônia multicultural, diversa, apologética, disforme, radicalmente solta e de autoregulamentação própria, Deus sabe o que sai pensando. 
Hoje meu olhar carinhoso entrou de férias.  Penso nas verbas do turismo indo para participação em feiras, diárias, stands, coberturas, mídias, enquanto o calçadão horroroso, de pedras quase pretas e amarelas, morto nas cores, apagado, sujo, malcheiroso, não recebe um lava jato, a regulamentação não se efetiva, a urbanidade não se instala e o visual feliz do lado de cá não se aproxima do de lá, onde o mar faz sua parte e o Morro do Careca se amostra com sua beleza, sempre belos e presentes. 
É preciso arrumar a casa para depois buscar gente. Trazendo a galera para esse muquifo que está, só se for uma ruma de poetas, escritores, como eu, que normalmente só veem o lado bom das coisas.
Mas a banda toca de outra forma e a grande maioria das pessoas observa mais as desafinadas da banda, levando para casa a informação que o show foi mais ou menos e que é preciso ensaiar mais. 
Ave Maria, que situação rapá...

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