o espaço das minhas coisas

Quinta, 05 de Setembro Que Situação por Flávio Rezende

Que situação, rapá...

Av Brasil 

 

Passo uns dias da semana na Candelária e outros em Ponta Negra. No caminho para PN, indo por dentro como costumamos dizer tem um trecho de paralelepípedo. Quase todos preferem acessar o conjunto por uma rua mais a frente, por ser asfaltada, aumentando percurso. Depois entrando no conjunto por sua última rua vemos o mato alto na cerca da lagoa de captação, seguindo um carro abandonado na frente de uma oficina. Logo após o paralelepípedo volta com força e muitos buracos, me obrigando a seguir bem devagar pois piloto uma moto de pneus pequenos, o que ocasiona forte trepidação e alto risco de desenvolver câncer de próstata por causa do rebuliço lá por baixo. Antes de casa aparece uma com o mesmo número da minha e ao lado direito uma praça que só é limpa por voluntários do Centro Espírita na frente. Na mesma área um espaço ambiental virou depósito de lixo e metralha. Na mesma rua, uma família decidiu abrir um bazar de tudo, expondo móveis, roupas, utilitários domésticos e bugigangas. A área ocupada transcende em muito a da loja. Virou mercado público. Para completar na minha rua mora a governadora, e quis o destino levar um pequeno e informal empreendedor - que obviamente não paga impostos, comercializar alimentos sob uma humilde tenda a duas casas da dela. Tem outras paisagens que revelam bem nosso Brasil, mas para não alongar fico nesses pequenos exemplos de nossa situação. Aí passando pelos babados lembro das vezes que vou aos Estados Unidos. Lá ninguém arriscaria abandonar um carro em via pública, paralelepípedo é peça de museu, lojistas ocupando calçadas não existem e informais muito menos. Alguém vender sanduba na porta de casa na vizinhança da mais alta autoridade estadual, nem em sonhos. Eita que esculhambação. Que situação, rapá... 

 

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