Quinta, 23 de Agosto Meus escritos por Flávio Rezende

Sociedade textual

Estamos aqui no Brasil e, certamente, em outros lugares do planeta, literalmente vivendo num oito. Coisas ruins acontecem, todos se chateiam, acham errado, sabem mais ou menos como dar um norte, mas o oito vai, dá a curva, volta e, nada acontece.

As leis surgem de legisladores e, depois de elaboradas e formatadas em projetos, vão para votação. A velocidade com que a sociedade pede mudanças em diversos setores, encontra nesses legisladores e na atual constituição, entraves, preguiça, falta de vontade e situações que mais prejudicam que agradam a grande maioria da sociedade.

Todos os dias ocorrem eventos negativos, cada um mais absurdo que o outro. Hoje foi um camarada que foi preso por matar um idoso, cheio de processos, condenações, com violação da tornozeleira eletrônica, soltinho da silva pelo mundo, fazendo graça da desgraça alheia em plena TV e, para nossa total indignação, saiu imediatamente, pois alguma coisa lá o beneficiou.

Também vitimaram um rapaz de 16 anos, filho de um político, provocando textos diversos, comoção e indignação. Estamos assim, cheios de textos, lotados de depoimentos, com horas e horas de depoimentos, entrevistas, programas de TV de ruma, jornais com páginas e mais páginas e, as leis continuam as mesmas, nada de mudar nada, menores fazendo e acontecendo, homicidas confessos sendo liberados e os legisladores para lá e para cá em busca de votos.

A mesma agilidade que temos de produzir textos, editoriais, apelos, cartas e poesias, os políticos deveriam ter para aprovar projetos que de alguma forma impeçam tantas liberdades provisórias e proporcionam tantos benefícios e sentenças baby para facínoras, matadores contumazes e jovens ladrões impiedosos.

E os religiosos com seus sermões bonzinhos demais, uns até defendendo liberdade para certo ladrão condenado, deviam era formar no time das vítimas.

A esquerda que vê conspiração em tudo, devia sim era denunciar a conspiração dos políticos e de alguns membros da sociedade civil, em favor dos que matam e roubam.

Vivemos uma sociedade textual altamente eficiente na produção de lamentos, quando precisamos de fato, é de uma sociedade mais pacífica e protegida, na forma da lei, dos seus meliantes.

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