Domingo, 01 de Abril Meus escritos por Flávio Rezende

Um cenário ilusório

Algumas pessoas defendem intervenção militar diante da situação complicada do País.
Não formo neste time, mas reconheço que as coisas estão bem difíceis.
Ladroagem tem em todos os partidos. Garimpar alguém que preste exige uma batéia muito eficaz, uma vez que diamante é raro, enquanto os seixos abundam.
Os militares mesmos andam ressabiados. Com o advento da internet não é fácil manter um governo apócrifo eleitoralmente. Teríamos oposição constante e a volta da guerrilha.
Já no campo eleitoral vivemos um mundo de "maya", que Adi Shânkara, metafísico, teólogo, monge errante e mestre espiritual indiano, principal formulador doutrinal do Advaita Vedânta, ou Vedânta não dualista, define como: "ilusão".
As campanhas turbinadas com dinheiro, muitas vezes de origem duvidosa, eliminam a palavra democracia, até mesmo no tempo destinado aos partidos, quando uma eleição teoricamente deveria partir de tempo igual para todos, já começa com uma divisão temporal do que já existe, sujando o caráter democrático.
O uso no mundo virtual dos robôs, por praticamente todos, retira mais um pouco da lisura do pleito.
Agreguemos a isso a postura dos julgadores do Supremo e do TSE, o balcão de negócios dos partidos, a ausência de ideologia verdadeira, a adesão ao ser político pelo ganho futuro monetário e não pela missão de servir, tudo isso leva o processo ao aterro sanitário e apodrece sua essência descartando sua legitimidade democrática.
O processo então, resta ilusório, "maya".
E nós, mergulhados na energia negativa que os bandidos armados nos impõe, gastando grana e tempo para defender ou atacar intervenções, acossados por militantes raivosos querendo condenados livres e por ultra radicais querendo o extermínio de gays, lésbicas e simpatizantes, assistimos o tempo passar, não concentrando esforços na elaboração do duradouro, do necessário, o novo modelo, uma vez que tudo que está aí, voltando mais uma vez ao Shânkara, é só ilusão.
Que situação, rapaz...

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